Revival #9 – Carta de uma neurótica – março de 2010

20/10/2010

Esta é uma coletânea das atitudes neuróticas de algumas amigas e a exposição de algumas piadas “internas” também.

Querido Rodrigo (ou vc prefere que eu te chame de Marcelo?),

Tudo bem com você? Que saudade, né? Não faz nem uma semana que nos conhecemos, mas parece uma eternidade. Passei esta semana procurando um contato seu. Mas foi até fácil. Quando eu encasqueto com uma coisa, aaaaah. Não tem quem me segure.

Joguei o seu nome no Google e não encontrei nada. Daí resolvi te procurar no Orkut e no Facebook, ainda sem nenhuma pista sua. Mas como sabia o nome daquele menino que estava com você, o Caio, foi muito tranqüilo. Apesar de não saber o sobrenome dele, não existem muitos Caios no Orkut (nem eu sabia dessa). Depois de encontrá-lo só foi um pouco trabalhoso te achar, pois estava escrito Marcelo e a foto era muito pequena. Mas como para tudo eu tenho um jeito, e a tecnologia está aí para facilitar o dia a dia, foi só copiar e colar no Photoshop que pude te identificar direitinho. Estas modernidades também me deixam pasma, Rô.

Lindo, o que importa agora é que nos encontramos e que eu achei super legal esse apelido que usou SÓ comigo: Rodrigo. É um nome lindo mesmo. Eu gosto de Marcelo também, mas depois decidimos juntos qual devo te chamar.

Aliás, se quiser me “batizar” com outro nome, eu acho muito romântico, porque meu nome é muito comum mesmo, e não acho justo você se juntar a todo o resto do mundo que me chama de Carol. Fica muito banalizado, né? E a nossa relação não tem nada de banal.

Ainda lembro daquela noite em que você chegou caindo em mim. Parecia cena de filme. Todas as minhas amigas disseram que estava MUITO bêbado, mas eu sei que isso foi apenas uma tática para me conquistar. Adorei também o fato de vc querer memorizar tudo o que falava, sempre pedindo para eu repetir as coisas. E só para deixar claro, nunca me senti tão engraçada como naquela noite. Você não parava de rir de tudo o que eu falava. Eu sempre achei que deve existir senso de humor entre um casal, e nós temos! Fico muuuuuuito feliz com esta sintonia, fofucho.

Rô, como você não me ligou AINDA, sei que esqueceu de pegar meu telefone. Mais do que normal, já que passamos por grandes emoções e a certeza de que fomos feitos um para o outro fez com que não lembrasse que não tinha o meu telefone. Por isso, atenciosa que sou e sempre serei com meu amorzinho, seguem os telefones aqui:

11-00000 – este é o tel do meu quarto. Pode ligar a qualquer hora, que tenho total privacidade.

11-9000000- este é o celular que mais uso. É Vivo, como viva está o amor dentro de mim. Nunca mudei este número, acredita?

11-7700-1234 – Bom, todo mundo precisa de um Nextel. Estou sempre com ele também, caso o Vivo tenha acabado a bateria…

1*0203 – este é o id. Você tem um jeitinho de quem curte viajar. Quando bater aquela saudade, é só chamar no rádio.

11-2916-1234 – este é o telefone geral da minha casa. Normalmente meu pai q atende. Mas se disser que pretende ligar eu fico com o tel do meu lado.

Caso não me encontre em nenhum dos tels, a Amanda ( minha melhor amiga que estava na balada comigo) também tem algumas opções. Provavelmente estarei com ela e aí consegue falar comigo.

11-8123-4567 – o cel que a acompanha em todo lugar.

11-01001 – este tel é do escritório. Só liga em horário comercial, tá?

Ah! Quanto ao lance de eu ter pagado a sua comanda da balada, não tem problema, não. Afinal o nosso patrimônio vai se confundir mais cedo ou mais tarde.

Com carinho,

beijinhos esparramadinhos,

Euzinha.

Revival # 8- Os casais – outubro de 2009

15/10/2010

Vamos voltar a causar polêmica? Este post foi o mais comentado, mais criticado, mais elogiado, mais TUDO!

Há um vírus que ataca as pessoas somente quando elas se juntam e formam um casal. É incrível como um ser único é legal, divertido, animado, sociável, mas, quando se encontra com outro, formando um C A S A L, vira uma companhia monótona e, por vezes, irrelevante.

Sempre que vamos sair ou planejamos algo mega divertido, pensamos na lista de convidados. E os casais são automaticamente excluídos, de forma natural. Sem birras, sério. A gente pára e pensa: convidar o fulano e a ciclana? Não. Para quê? Eles vão ficar em um canto, se olhando, sempre com aquele indispensável ponto de contato, seja um abraço ou simples segurar na mão, dando risadinhas entre si, fazendo grunhidos, falando seu próprio dialeto e totalmente por fora dos assuntos do momento.

Pior, a probabilidade de o casal não poder ir ao evento é muito grande. Isto porque a prioridade de um casal é um super aniversário da bisavó, chá de cozinha da prima etc. Baladas, bebidas e risadas? Ah, não. Tudo isso é muito chato. Bom mesmo é virar um siamês e vagar por ambientes familiares.

Além do mais, todo casal é desanimado. Jamais vai topar ir a um bar e depois em uma balada. A bateria acaba rápido. Então escolha qual convite quer fazer porque, certamente, eles vão desanimar no meio do caminho.

Como os casais são seres isolados do mundo, a probabilidade de briga quando estão em um círculo social é muito grande. Isto porque estão destreinados do mundo civilizado e nem entendem as brincadeiras. Assim, embirram com a menor provocação.

Claro que toda regra tem sua exceção. No nosso círculo de amizades, podemos alguns casais. Eu mesma já namorei e acredito que formei um casal divertido, que interagia e dançava. Nunca formamos a dupla “monotonia e vagareza”. Até porque eu ligo o famoso “fuck you” e continuo do meu jeito. Se quero dançar loucamente, danço, rio, abraço, whatever. Acho que só os inseguros querem se anular mutuamente de modo que o casal vira algo dispensável.

No outro dia, quando vamos lembrar do fim de semana, das histórias, esquecemos que eles, o casal gasparzinho, também foi. É algo automático. Começamos contar disso, daquilo, aí vem uma pessoa e diz: e o x e a y? Ah, é verdade. Eles foram. Nem lembrava… Isto porque é realmente uma “presença que não se faz presente”, infelizmente.

Quanto a mim, Samylle, quando me transformo em um ” casal” na balada e estou bêbada, não tem como escapar, todas as minhas maiores qualidades se vão. É como se eu me transportasse para um mundo paralelo onde só vejo a pessoa. Sabe quando estamos bêbados e perdemos a visão perifèrica? Pois é, e este mesmo fenômeno que me ocorre. Esqueço de tudo e de todos. Nem adianta querer minha atenção que você não terá. E não precisa ser namorado, não. Claro: bêbada na balada. Pode ser aquele “Zé Mané” que acabei de ficar  que eu não consigo mais manter um diálogo com a amiga do lado( ainda bem que a Paula me perdoa pelas constantes omissões)
Já tentei enquanto namorada manter o meu ” dance”(sim, eu faço coreografias baseadas nas letras da músicas), mas o cara não gostava muito. Não me rendi, mas ficava um pouco sem graça de fazer algo que ele não “aprovava”. Enfim..Quero ser um casal legal: “que dança junto, ri junto, bebe, cai e levanta.” Não entendo por que perdemos a nossa ” graça” quando namoramos.

Namorando não temos mais os “big papers” para contar. E, se temos, é motivo de briga. Acabam as ressacas legais, que você pergunta para as outras pessoas: ” o que eu fiz?”.
Quando criança meu sonho era casar com o “Didi Mocó”. É bizarro, mas acho que eu já era uma pessoa observadora, e percebia que os casais perdiam a graça. Portanto, nada mais natural do que querer se casar com a pessoa que mais me fazia rir: Didi Mocó!

Arte de fazer nada

08/10/2010

No último fim de semana, estávamos vendo TV juntas e logo começou o programa Alternativa Saúde. Às vezes, há coisas interessantes, outras vezes, absurdos, os quais, pelo menos, dão subsídios aos nossos posts.

Logo que coloquei GNT, a entrevistadora pergunta para o homem: “Como você ensina as pessoas a não fazer nada?” O quê? Na boa, gente. Agora eu tenho que ter um “coach” para não fazer nada?

O tal entrevistado fazia parte do Clube do Nadismo. Sim, existe um clube voltado para não se fazer nada. É ridículo, ma há adeptos por todo o mundo. Se fosse meditação, algo mais profundo, com algum propósito real ou humanista, tudo bem… Mas, não. É basicamente deitar e ficar sem fazer nada.

Era só o que me faltava. Eu visualizo o “presidente” do clube em casa, cheio de dívidas, pensando: “Como eu vou ganhar dinheiro se não talento para nada? Eureca! Clube do Nadismo.”

O que seria do trouxa se não houvesse o esperto, não é mesmo?

Não sei se é uma carência, uma falta de rumo, mas o mundo está meio esquisito. Imagina você andar com uma pessoa que saca uma “carteirinha do clube do nadismo”. Não é altamente desanimador?

O argumento para participar deste “clube” sempre versa sobre aquele velho papo de ter um tempo para si mesmo. Não sei você, mas eu costumo passar 24 horas do meu dia comigo mesma e nunca consigo me distanciar, embora, às vezes, queira. Em seguida, os argumentos são pautados nos clichês do mundo caótico e estressante. Ok, as cidades grandes são difíceis, trânsito, poluição, ruídos. Mas até aí você entrar para um clube de pessoas que não fazem nada é um pouco demais.

Particularmente, sou muito boa na arte de não fazer nada. Não raro meus finais de semana são regados a nada. Mas quem precisa de alguém para ensinar isso? Ou de outras pessoas para apoiarem?

“Isso, muito bem. Tá lindo esse nada que você está fazendo agora. Força! Fica mais um pouquinho sem fazer nada que vai ficar perfeito.” ( leia-se com voz de professor de academia).

Com certeza, este brasileiro copiou a idéia dos americanos: eles que adoram fazer clube para tudo. Tem até o clube dos viciados em sexo: o cara trai a mulher e depois vem com a “velha” desculpinha de que é viciado.

Trouxeram um neologismo para vagabundagem. O cara é um preguiçoso? Não, ele é nadista. O que uma palavra bonita não faz ,não é, minha gente?

Se, ainda assim, você tem interesse em entrar para o clube. Comece a praticar. Eis umas dicas do nadismo:

“1. STOPNJOY!

Este tempo é totalmente seu para que você desfrute o fazer nada sem pressa.

2. ENTREGUE-SE!

Abandone a intenção de fazer nada. Esqueça qualquer objetivo, o nadismo não tem nenhum propósito.

3. SOSSEGUE!

Privilegie o silêncio e a imobilidade.

4. OBSERVE!

Evite ocupar-se mentalmente. Deixe a mente vagar como as nuvens.”

Em suma, palavras bonitas, muita redundância e prolixidade para, finalmente, dizer: fique parado.

Talvez ainda não tenha evoluído tanto ao ponto de entender o propósito do nada.

Eu, eu, eu. O buquê é meu!

29/09/2010

Finalmente chegou o dia do casamento da primeira mackenzista! Dia 25 de setembro, no clube de golfe de Guaratinguetá. Que alegria. Todos os mackenzistas foram antes para curtir o hotel… À tarde, estávamos juntos na piscina, rindo, conversando, debochando um do outro, como sempre, até que surge o papo do buquê.

Eu não ligo de ser chamada de competitiva, mas tem hora que acho que é exagero. Então falei na boa que não ia entrar na competição porque senão todo mundo ia ficar perturbando. Não sou supersticiosa e, no fundo, não me importo com estas coisas. Vou mais pela farra.

Todas as meninas discordaram e falaram para eu parar de bobeira. Que tinha que entrar no clima, participar, blá, blá, blá. Falei que na hora eu decidia. E elas continuaram me enchendo. Ok!!! Concordei.

Chegada a hora, eu pensei em sair de fininho. Mas alguém me puxou para o centro da pista (acho que foi a Chris). Bom, já que entrei, então que seja para ganhar. Gente, eu fico impressionada com a incapacidade de raciocínio espacial das mulheres. É por isso que a maioria não consegue fazer baliza, dirige mal… Os homens têm razão. Havia um monte de mulheres posicionadas ao fundo. No entanto, as “burrinhas” não perceberam a enorme estrutura de iluminação com baixa altura que tinha em cima de nós. Ou seja, era impossível o buquê chegar ao fundo!

Eu fiquei um passo atrás da primeira estrutura, de forma que, se o buquê viesse um pouco baixo, fazendo um curva sem bater na estrutura, cairia naquela distância. Se viesse alto, bateria ali e cairia na minha frente.

Dito e feito! O buquê bateu e caiu na nossa frente (minha, da Chris e da Samylle). Bom, o Rafa, namorado da Chris tinha pedido para eu não deixá-la pegar (ele nem precisava pedir, porque eu realmente estava na competição). Como ela é baixinha, eu já a tinha empurrado com o braço fazia tempo. A Samylle, com enorme reflexo que tem, ao invés, de esperar para ver onde o buquê cairia, ficou olhando para o alto, seguindo-o com os olhos E corpo. Ou seja, o buquê passou por cima dela. Percebendo que tinha caído, ela agachou rodando, de costas para ele. Parecia que ela estava procurando uma tarraxa de brinco no chão, e não o buquê!

O momento não podia ser mais propício. Lá estava ele, na minha frente. Eu só tinha que ser rápida o suficiente (antes que alguma menina de trás me passasse) e desviar da Samylle. Claro, eu tinha que desviar dela, porque, se seguisse realmente meu instinto competitivo, daria um empurrão e ela perderia os dentes.

O que eu fiz? Dei um pulo em direção ao buquê, desviando da Samylle. Um pulo “em curva”, agachando para pegar o buquê. Entenderam? Então, quando eu torci, ou melhor, quebrei, eu já estava no chão. Porque pulei agachando. E ninguém percebeu.

Nem eu, na verdade. Na hora, senti muita, mas muita dor. Passados uns 10 minutos, aliviou e foi só eu dançar em um pé que meu problema estava resolvido.

Com o passar da noite, ele foi inchando até se tornar um verdadeiro pé de boneco da Michelin. Eu tinha 3 gorduras nele. Até achei que estava feio, mas só me dei conta realmente quão horrível estava quando pedi a opinião do Fernando e ele, sutil como um elefante, diz: “Na boa, seu pé ta muito feio, eu sou homem e não quero mais olhar.”

Sorte que ainda existem homens gentis no mundo e o Pub (que eu fiquei zoando a noite inteira porque uma vez ele foi viajar de pé quebrado para o carnaval e passou o feriado dentro de casa vendo desfile das escolas de samba) deixou o rancor de lado e me ajudou chegar até o apartamento.

A Samylle que hoje está com os dentes perfeitos, graças a mim, até agora não fez um agradecimento público. Disse que vem me distrair no fim de semana. Quero só ver…

Riso compulsório

21/09/2010

Algumas piadinhas são tão recorrentes e antigas que o riso torna-se sinal de educação. Não rir delas é quase ser uma pessoa grossa. Normalmente, estas piadas são aquelas conhecidas por todos, sem a menor graça, quase sempre mencionadas por pessoas mais velhas.

Eis alguns exemplos.

Assistindo desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, qual a piada que não vai faltar nunca? Em algum momento alguém vai soltar: “Agora que a Mangueira vai entrar?” Esta é a típica piada originalmente suja que foi elevada ao nível de “clássica”, dotada da obrigatoriedade do riso. A vontade amarga, se estivermos de mau humor, é falar: “Claro, ela vai entrar. Inclusive, me dá licença?”

Bom, agora vamos nos transportar para aquele almoço de família, com todas as gerações, bem agradável. Chegada a hora da sobremesa, surge na mesa um belo e apetitoso pavê. Esqueça. Você não vai saboreá-lo sem antes ouvir: “É pavê ou pacomê?” É pacomê e ficar quieto.

Aí alguém começa a contar uma história que tem um tal de Mario… Quando vocês ouvem este nome já não se preparam para checar quem do grupo vai perguntar: “Que, Mario?” Sim, porque agora esta pergunta é proposital. Tem sempre alguém que adora ouvir piadas repetitivas e faz esta pergunta de propósito! E a pessoa que está contando a história tem que optar em rir ou terminar a piada, enquanto os demais estão pacientemente espero o desfecho previsível.

Mas é chegada a hora de ir embora. Quem foi que teve a brilhante criatividade de inventar a frase: “Vamos nus, porém vestidos”? Esta é péssima. E o pior é que caiu no gosto popular e será eternizada, certamente.

Seguindo a onda de obscenidades, quem nunca se deparou com um grupo de amigos em uma casa, viajando, onde as tarefas são divididas e sempre tem um engraçadinho que fala: “Se eu cozinho, eu não lavo’?

E por aí vai, pessoal, com clássicas e neoclássicas:

“quer VER DURA?”

“Você tá bem? Não COMO você, mas vou bem”

Agora que reparei que quase todas são piadas sujas…

No fim de tudo isso, temos que realizar nosso grande exercício de humildade e assumir que amamos uma das piadas mais sem graças da face da terra. E ela não é obscena! A famosa piada do “paraguaio”. Vocês conhecem, né? Pois ela é uma clássica entre nós duas e adoramos contar para pessoas novas. A ressalva é que, ao contrário das pessoas de bom senso, que dão apenas uma risadinha por educação, nós, muitas vezes, rimos no meio da piada. Isto porque ela é ridícula…

Todos nós temos um ponto fraco. E nosso telhado também é de vidro.

Revival # 7 -Copa rocks

16/09/2010

Decidimos passar o reveillon no Rio. Ir para lá sempre é razão de ficarmos super animadas. Passar o ano novo, então, nem se fale.

Embarcamos e logo o piloto informou que não havia previsão de decolagem, pois no aeroporto do Rio estava chovendo muito. Ficamos 1 hora e meia literalmente presas no avião. Até aí tudo bem, porque estávamos cantando, rindo, super animadas. Mas havia uma mulher muita chata ao meu lado. Ela tinha uns 28 anos, era meio gorda e extremamente mal humorada. Falava alto no Nextel, reclamava de tudo, levantou enquanto o avião estava pousando e tomou bronca da aeromoça, brigou com todas as crianças do avião, inclusive as educadas. Enfim, um porre que decidimos ignorar para curtir tudo.

Chegando ao Rio, a primeira decisão que tomamos, depois de muito pensar e tomar chuva, foi abortar a ida à festa que havíamos programado. Então, vendemos o convite da Samylle, já que somente ela, afobada, havia comprado antes e fomos peregrinar atrás de outra festa.

Depois de descartamos a possibilidade de entrarmos de penetra no Copacabana Palace, resolvemos ir à nossa última opção: uma ceia em Ipanema, onde a estagiária da Samylle estava com algumas amigas, e depois partir para a orla de Copacabana. Ficamos meio ressabiadas por elas serem novinhas e querermos nos divertir “pesadamente.“ Mas era a melhor idéia para o momento. Já em 2010, beeeeem felizes, inventaríamos uma festa para ir em qualquer outro lugar.

Tentando ser educadas, levamos uma vodka, abacaxi e limão para fazer caipirinha para o pessoal. Mas logo que chegamos vimos que ninguém gostava de caipirinha. Ou seja, a garrafa inteira foi nossa. Só nossa.

Foi o primeiro ano que comi lentilha. Se eu soubesse que dava dinheiro, teria comido sempre. E também seria o primeiro ano que faria uma oferenda à Iemanjá. Mas, para ela lembrar de mim, quis dar um presente que se destacasse: um panetone que achei na casa que estávamos “ceiando”.

23 horas, 1 jarra de caipirinha de abacaxi detonada por mim, 1 jarra de limão detonada pela Samylle e partimos para Copacabana. O caminho não lembro exatamente, mas, próximo da orla, eis que Samylle avista a “chatona” do avião. E, como réveillon tudo é lindo, ela vira e me fala: “Olha, Paula! A nossa amiga do avião.” Gente, a menina era tão chata que a lembrança que tenho dela na orla é com um vestido inteiro preto. Mas me contaram que ela estava de branco.

Para me vingar resolvi persegui-la até que ela me desse as flores que estava levando para Iemanjá. Lógico que ela se negou, mas eu comecei a correr atrás dela e acabei ganhando uma florzinha, que ficou no asfalto em algum momento.

Do nada, comecei a ouvir barulho de fogos. Estávamos em Copacabana! O melhor e mais emocionante reveillon do mundo! Mas cadê que achávamos os fogos? Foi desesperador. Estávamos tão enlouquecidas que não conseguimos achar os fogos. Sim, a gente estava na orla. Sim, era ano novo, Copacabana, milhões de pessoas, lindo, bla, bla, bla. Não sei como não vimos N-A-D-A.

Eu estava desesperada, ouvindo o barulho e não conseguindo encontrar os fogos. Olhava para cima e ficava perguntando para a Samylle: “Cadê? Cadê? Acha! Acha!”. E ela: “Não sei! Tô procurando!” Para nossa alegria, um dos fogos estourou em cima da gente. E as duas: “Ali!!!” Samylle, com sua máquina, começou a disparar as fotos. Foi o único “fogo” que vimos.

Repararam na beleza da foto? Copacabana é show, né? rs. 12 minutos de fogos e só vimos 1! Tenho certeza que, dentre as milhões de pessoas que ali estavam, nós 2 fomos as únicas antas incapazes de ver a queima mais sensacional do mundo. E eu estava muito empolgada, porque sabia que ia ser temático – referente às olimpíadas. Em um certo momento, até fiquei olhando para os prédios da orla, para ver se “eles”, os fogos, saíam de trás de algum. Mas, quando me dei conta que todo mundo estava olhando para o mar, tive certeza que eu estava errada.

Durante os fogos, não me senti muito bem, sentei em um banco e acabei sujando uma parte do meu vestido de caipirinha que eu já havia tomado (entenderam?). A Samylle achou que a solução para o meu mal estar era cortar a parte suja do vestido. Aí eu melhoraria de repente. E logo tratou de perguntar às pessoas se elas tinham tesoura. Claro que todo mundo ficou espantado e ninguém pôde ajudar. Assim, vendo que eu não melhoraria, às 00:30 de 2010 decidiu chamar um táxi e fomos embora.

Resumo da história: não vimos os fogos, perdi o show de Copacabana, não ofereci o panetone à Iemanjá e às 00:50 de 2010 já estávamos dormindo em casa. Espero, pelo menos, que as lentilhas façam efeito durante este ano.

Sandra Bullock tupiniquim – Parte II

09/09/2010

Eu estava trabalhando lá e meus pais foram me visitar. Decidimos pegar o ônibus da própria Disney para ir a algum parque. Quando chegamos à fila, havia um casal daqueles “negão americano” escandaloso com 2 filhos. O cara ficou louco, achou o máximo, me chamou de Sandra, fez a maior festa. Meus pais amaaaaram meu sucesso e conversamos um pouco. Quando o ônibus chegou, só podiam entrar 4 pessoas. Ou seja, entrariam o casal e seus filhos. Qual a surpresa? O homem cedeu a vez deles para a “Sandra Bullock”.

Eu não queria entrar no ônibus porque vi que a mulher ficou enciumada, fora o fato de que estava muito quente. Mas ele insistiu e minha mãe já tinha dado a entender que aceitaria.

Para azar da mulher e sorte nossa, encontramos o casal mais umas 3 vezes e, em todas, ele cedia o lugar dele para mim. Em certa ocasião, ele fez a mulher levantar da mesa para a gente sentar. Eu, tentando ser delicada, falava:  “não, pode comer tranquilamente.” E ele, com aquele olhar de indireta para a mulher: “Mas já acabamos, né, sweetheart?”. Foi hilário.

Se eu morasse nos EUA, acho que ia querer ganhar alguma grana com isso. Aliás, meu segundo namorado se aproximou desta maneira também. Eu estava correndo na esteira e ele gritou do segundo andar da academia para uma professora, dizendo que me levaria no programa do João Gordo  (era alguma coisa de sósia). Claro que, distraída, a princípio, não entendi nada, mas topei na brincadeira. O fim foi que não fomos ao programa, não ganhei nada, mas isto nos aproximou.

Em geral, até que me acostumei com a idéia e não acho nada demais. Mas algumas situações são embaraçosas, como o dia que meu pai me deu uns convites da pré-estréia do filme “Miss Simpatia 2”. Chegando lá, encontrei com um amigo dele do SBT que estava com um fotógrafo. E ele me obrigou a ficar do lado do cartaz da Sandra Bullock para tirar uma foto. Foi péssimo.

O bom é que as minhas amigas às vezes gostam mais disso que eu. A Chris, este dia da pré-estréia, se matou de rir da minha vergonha. Mas acho que a Isa é a mais empolgada. Ela sempre tem várias idéias de como eu posso ganhar dinheiro com isso. Já chegou à insanidade de propor que eu andasse com um boneco negro nos Jardins e ela tirasse umas fotos “estilo paparazzi” para falar que a Sandra estava se recuperando do chifre que tomou do ex-marido no Brasil.

Outra insanidade dela foi me passar o endereço da TMZ de Los Angeles, quando eu estava viajando pela Califórnia, para eu dar uma “passada” na emissora. Mas sua máxima empolgação foi ter enviado uma foto minha para a “Globo.com” em uma promoção de sósia, acho. Detalhe: ela enviou a foto enquanto eu estava viajando pelos EUA e apenas me enviou um email avisando: “Paulita! Olha o email que mandei para a Globo!”

Definitivamente, se algum dia eu ganhar algo com isso, a culpada será ela e, lógico, receberá sua devida comissão.

Bom,  para quem sempre achou que nunca tinha ganhado nada com esta semelhança, escrever este post até que me fez ver que isto me rendeu muitas histórias e amizades.

Sandra Bullock tupiniquim – Parte I

31/08/2010

Tudo começou quando eu tinha 14 anos e jogava tênis. O catador de bolinhas falou para o professor e ele veio falar comigo. Eu mal sabia quem era Sandra Bullock, mas achava que a beleza passava longe dela. Portanto, lógico que odiei a comparação.

Naquela mesma semana, acho que o tal do catador espalhou para todo mundo, porque mais 3 pessoas vieram falar. Foi aí que decidi contar para minha mãe e procurar observar a Sandra Bullock melhor. Até a veterinária da minha cachorra falou! Que raiva. Quase respondi: “Feia é você!”

Eu simplesmente odiava porque, para mim, estavam falando que eu era feia. Mas, aos poucos, fui me acostumando em “me” ver na TV e passei a me achar normal. Não que isso fizesse eu passar a gostar da comparação. Fora que eu nunca sabia como reagir. Típica adolescente insegura, quando alguém me falava que era parecida, não sabia se fingia que eu nunca tinha ouvido isto e fazia cara de surpresa, se agradecia (e se não fosse um elogio?), ou se não esboçava nenhuma reação como se aquilo fosse bem trivial na minha vida.

O fato é que eu fui crescendo, os comentários aumentando e eu passei a curtir tudo isto. Encarei como algo positivo que aproxima as pessoas de mim e, normalmente, parece soar como um elogio ou algo legal.

No último ano do colegial, a gente tinha um professor de história meio louco, que babava muito quando falava. Eu sentava na última carteira e ele insistia em andar até o fundo para falar com a “Sandrinha”, babando e com o zíper da calça aberto. Era altamente constrangedor ouvir minhas amigas no fundo cantando músicas românticas ou falando: “olha o passarinho”. Eu rezava muito para o papo acabar e ele voltar para a frente da sala.

A “semelhança” também foi apontada no trote da faculdade. Não sei quem achou isso, espalhou e, em pouco tempo, comecei a ser chamada de Sandra (hoje sou adestrada e quando ouço este nome também respondo). Foi bom para quebrar o clima de “caloura”. E o clima quebrou tanto que um deles se tornou meu primeiro namorado.

Nesta mesma semana, a primeira de aulas da faculdade, o professor de sociologia me avistou lá no fundo (não adianta sentar longe) e falou que a Sandra Bullock estava na sala. Todo mundo virou para olhar e me conhecer. Fiquei suuuuuper sem graça, mas foi bom para me aproximar daqueles que ficariam comigo por 5 anos.

E lá no Mackenzie foi assim por muito tempo. Eu tenho certeza absoluta que algumas pessoas nunca fizeram idéia do meu nome e me chamavam de Sandra para facilitar. De certa forma, foi na faculdade que tive a maior pressão para assumir isto como algo positivo. Em uma festa à fantasia, fui finalmente convencida a ir de “Miss Simpatia”. Eu morria de vergonha e medo de acharem que eu estava posando de “hollywoodiana”. Mas o fato é que foi bem divertido. Fora a felicidade da minha mãe em ver a Sandrinha saindo de casa.

Ah! No começo, minha mãe também odiava. Era quase um xingamento para ela. Sempre vinha me acalmar: “Calma, filha. Você é bem mais bonita que ela.”

No entanto, ela também passou a achar mais divertido, principalmente quando consegui algumas regalias para a gente na Disney.

Em caso de anestesia, desmarque a entrevista.

25/08/2010

Ouvimos esta pérola ontem e já pensamos em publicar no blog.

Nossa querida amiga Isabella, leitora assídua e com papel ativo em muitas histórias daqui, desta vez, será a protagonista de um post.

Em um dia ordinário, Isa foi realizar um exame de endoscopia. Todo mundo sabe que o normal neste exame é tomar uma anestesia que nos deixa dopados. Com ela não foi diferente. Saiu completamente alucinada do hospital e foi direto a um restaurante. Seu estado era tão lamentável que, no momento de ir embora, o garçom colocou a mão no seu ombro para dar forças e desejar boa sorte e tudo de bom a ela. Até aí, nada de imprevisível quando o assunto é a  Isabella.

Porém, neste mesmo dia, ela tinha uma entrevista de emprego em um escritório. Foi para casa, deu uma descansada, sentiu-se perfeitamente bem e foi de táxi até a entrevista. Quando estava na sala de espera, bateu aquele “barato” e ela percebeu que estava totalmente dopada. Não havia mais como desistir.

Segundo ela – a visão da dopada- a entrevista estava insuportável porque eram 2 homens que falavam demais. Literalmente de saco cheio, ela olhava para o teto quase o tempo todo, inclusive quando faziam alguma pergunta para ela. Por causa de seu estado lerdo, ela quase nunca sabia responder imediatamente. Então dava aquela olhada para o teto para pensar um pouco, enquanto os dois advogados ficavam em choque com aquela postura da candidata.

À certa altura, um deles pergunta qual foi o tema dela da monografia. E óbvio que ela não lembrava. Olhadinha para o teto, huuummm… “Não estou me lembrando”. (Detalhe: ela colocou no currículo o tema). Um deles deu a dica. E ela imediatamente diz: “Esse aí!” Percebendo a lentidão da candidata, mas ainda sem entender que drogas ela usava, um advogado começou a discursar sobre as 3 correntes aplicadas no tema da monografia. Ela, de saco cheio do discurso, não disfarçou, começou a bufar e ele perguntou qual das correntes ela adotou. Ao invés da “esperta” embasar a corrente que segue, dando uma resposta completa, apenas disse: “ a corrente do meio”.

Neste ponto, um deles jogou a toalha. Vendo que ela era Mackenzista, decidiu chamar uma outra advogada da mesma faculdade que trabalha no escritório para ir ver a candidata. Então ele desceu até a sala da Paty (que, por coincidência, é super amiga nossa e estudou na nossa sala também) e disse para ela que tinha uma Mackenzista chamada Isabella fazendo entrevista que só olhava para o teto e não falava nada com nada.

Lógico que a Paty foi correndo ver se era a Isa. E era! Quando a Paty entrou na sala, a Isa achou que estava em uma balada e deu um grito, levantou, abraçou: “Paaaaaaaty!!! Você!” Na cabeça da dopada, a Paty já sabia de tudo, tinha indicado ou feito algo de positivo para entrevista. Que nada. A pobre da Paty estava tão assustada quanto os demais advogados.

A entrevista seguiu… Parecia sem fim para a Isabella. Segundo ela, em vários momentos, pensou que o melhor seria pedir para parar. “Sinceramente, é melhor para todos nós encerrarmos isso.” Esta frase vinha constantemente na cabeça dela, porque, a cada minuto, a cada bufada, a cada olhada para o teto, tudo piorava para ela e para a Patrícia – já que agora os chefes sabiam que elas eram amigas.

No fim, alguém encerrou a conversa e ela voltou dopada para a casa. A vaga não foi dela, óbvio. Mas, pelo menos, a historia vai ficar eternizada aqui.

Revival #6 – Festa Junina

24/08/2010

Mais uma história “tragicômica” da infância da Samylle:

Inspirada em um post de outro blog resolvi fazer este. Minha infância tem várias histórias engraçadas e, em algumas delas, é preciso ter um pouco de humor negro para rir. De qualquer forma, sou esta pessoa devido a essas experiências e, portanto, devo me orgulhar.

Sempre fui uma criança tímida , que tinha paixões platônicas e que já falava em casamento aos 4 anos de idade (quando me apaixonei pela primeira vez).Os que me conhecem vão dizer que isso explica muita coisa.

Não entendo o motivo de as escolas sempre segregarem as crianças. Não dá para deixarmos os traumas para a adolescência? Já seria o suficiente para uma terapia. Mas as segregações sociais iniciam-se desde o jardim de infância. E as meninas sofrem mais, como sempre.

È a rainha do milho, a princesinha do baile, noivinha, todos as personagens que só nos maltratam. Sério, é estatística. Em uma sala de aula com 15 alunas apenas uma vai ser a noivinha. As demais vão levar o trauma para o resto da vida.

Nem preciso dizer que eu nunca era nada, sempre fazendo papéis secundários, mas que se destacavam pelo senso de humor. Sim, meninas engraçadas não podem ser bonitas e atraentes ao mesmo tempo. Entretanto, na 4ª série, apesar de não ter sido chamada para ser a noivinha, tinham me colocado para dançar com o menino mais bonito da escola e que todas amavam, inclusive eu. Nossa, que felicidade! Eu nem dançava a quadrilha nos ensaios. Eu pulava, literalmente! Como era bom ouvir: “Olha a chuva!”

Eu ficava intrigada por que o noivinho era um menino da 3ª série beeem estranho. Houve alguma maracutaia. A mãe do moleque molhou a mão da professora de certo, pensava eu. Mas não me preocupava. Afinal, o importante é que Eu estava feliz !

Quantos ensaios maravilhosos… O meu bom humor contagiava a todos. Enquanto eu esbanjava alegria, a “noivinha” era puro ódio e rancor. Sim, ela estava dançando com um menino estranho, enquanto eu dançava com o bonitão da escola. Nem preciso dizer que menininhas também sabem ser vingativas. A noivinha passava os ensaios reclamando e chorando pelos cantos. E, claro, isso não ficaria assim.

Por fim, ela, usando todo o seu charme, convenceu a todos que deveria dançar com outro. Quando indagada sobre quem, adivinhem a resposta? Sim, ela roubou o meu parceiro.

Ah, quanta desilusão. A minha alegria esfuziante foi tomada por uma melancolia horrorosa. E agora? Além de não ser a noivinha, teria que dançar com o outro menino (que realmente não sabia dançar e era chato). Bom, o chato ficou tão chateado (se é que isso era possível) e o ruim ficou pior: meu par desistiu de dançar. Fiquei sozinha, sem par para a festa junina.

As coisas não podiam piorar de novo! Pois elas pioraram. As brilhantes professoras, preocupadas com a minha situação, me deram uma apresentação solo. Ah, que felicidade que durou pouco. Comigo nunca as coisas são assim: perfeitas!

Resumindo: a apresentação era  a leitura de um “poeminha “sobre uma mulher que era desesperada para  casar e que fazia tudo com o santo Antonio e nada adiantava. Para complementar, o meu figurino era horroroso e todos riram sem parar do “belo” poema. Meu sonho de fama e brilho se foi: isto explica muita coisa…


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