Posts de outubro \03\UTC 2011

Lembrancinha esquecidinha

03/10/2011

Para que serve a lembrancinha senão para ser esquecida em algum canto da sua casa? Sim, porque, se você não sofre de nenhuma mania de juntar tralha ou participa da série “os acumuladores”, certamente não guarda nenhuma lembrancinha.

Normalmente, você ganha a lembrancinha, acha até “mimosa” no começo, mas, ao chegar em casa, coloca-a naquele buraco negro que as coisas somem por anos. Aí, certo dia, você está arrumando seu quarto e acha a tal da lembrancinha. “Nossa, aquela caixinha que eu nunca usei! Agora vai para o lixo”. Infelizmente este é o destino das lembrancinhas, mais cedo ou mais tarde: o lixo.

A lembrancinha, como o próprio nome sugere, é sempre algo pequeno: uma caixinha, um bibelozinho, algum “inho” sem utilidade. Normalmente ela é pequena o suficiente para fazer uma criança menor de 3 anos engasgar, e sem graça o bastante para não despertar o interesse de uma criança maior de 3 anos.

Nossa sábia Samylle ( gente, ela se aposentou do blog. Vamos fazer um manifesto?) sempre sintetiza as situações com frases ótimas . Saindo do hospital, após visitar as gêmeas da Paty, munidas das nossas devidas lembrancinhas, ela disse: “Lembrancinha boa é lembrancinha de comer”. E eu concordo. Naquele caso, era de comer, pegamos as nossas, comemos e pronto. Nada ficou entulhado em casa.

Educadamente, eu recuso lembrancinhas não comestíveis. Lá no fundo, eu acho que é uma atitude que faz a diferença. Se todos que não gostam de lembrancinha como eu passarem a recusar, o mercado vai à falência. Ou então, quando a situação não me deixa recusar, eu pego e dou para uma criança de rua. Ingenuidade minha achar que ela vai guardar, mas sinto que assim a lembrancinha terá alguma mínima utilidade na vida.

O pior de tudo é quando a pessoa que dá as lembrancinhas é a mesma que as confecciona. Nossa, que dó, que dó, que dó. Porque ela sempre super valoriza o trabalho: “passei a noite inteira pintando as caixinhas. Leva uma para você. Ah, fulana não veio. Leva uma para ela também”. A vida em sociedade me obriga a ser educada e sair carregada daquilo.

Eu, sinceramente, não consigo entender a onda das lembrancinhas. Já pensei até que fosse algo competitivo, do tipo: quem faz a menor caixinha do mundo? Quem faz o menor bonequinho do mundo com a cara mais perfeita do aniversariante? Sei lá qual o motivo, só sei que eu continuo firme no meu movimento individual de “abaixo às lembrancinhas”.


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