No último fim de semana, estávamos vendo TV juntas e logo começou o programa Alternativa Saúde. Às vezes, há coisas interessantes, outras vezes, absurdos, os quais, pelo menos, dão subsídios aos nossos posts.
Logo que coloquei GNT, a entrevistadora pergunta para o homem: “Como você ensina as pessoas a não fazer nada?” O quê? Na boa, gente. Agora eu tenho que ter um “coach” para não fazer nada?
O tal entrevistado fazia parte do Clube do Nadismo. Sim, existe um clube voltado para não se fazer nada. É ridículo, ma há adeptos por todo o mundo. Se fosse meditação, algo mais profundo, com algum propósito real ou humanista, tudo bem… Mas, não. É basicamente deitar e ficar sem fazer nada.
Era só o que me faltava. Eu visualizo o “presidente” do clube em casa, cheio de dívidas, pensando: “Como eu vou ganhar dinheiro se não talento para nada? Eureca! Clube do Nadismo.”
O que seria do trouxa se não houvesse o esperto, não é mesmo?
Não sei se é uma carência, uma falta de rumo, mas o mundo está meio esquisito. Imagina você andar com uma pessoa que saca uma “carteirinha do clube do nadismo”. Não é altamente desanimador?
O argumento para participar deste “clube” sempre versa sobre aquele velho papo de ter um tempo para si mesmo. Não sei você, mas eu costumo passar 24 horas do meu dia comigo mesma e nunca consigo me distanciar, embora, às vezes, queira. Em seguida, os argumentos são pautados nos clichês do mundo caótico e estressante. Ok, as cidades grandes são difíceis, trânsito, poluição, ruídos. Mas até aí você entrar para um clube de pessoas que não fazem nada é um pouco demais.
Particularmente, sou muito boa na arte de não fazer nada. Não raro meus finais de semana são regados a nada. Mas quem precisa de alguém para ensinar isso? Ou de outras pessoas para apoiarem?
“Isso, muito bem. Tá lindo esse nada que você está fazendo agora. Força! Fica mais um pouquinho sem fazer nada que vai ficar perfeito.” ( leia-se com voz de professor de academia).
Com certeza, este brasileiro copiou a idéia dos americanos: eles que adoram fazer clube para tudo. Tem até o clube dos viciados em sexo: o cara trai a mulher e depois vem com a “velha” desculpinha de que é viciado.
Trouxeram um neologismo para vagabundagem. O cara é um preguiçoso? Não, ele é nadista. O que uma palavra bonita não faz ,não é, minha gente?
Se, ainda assim, você tem interesse em entrar para o clube. Comece a praticar. Eis umas dicas do nadismo:
“1. STOPNJOY!
Este tempo é totalmente seu para que você desfrute o fazer nada sem pressa.
2. ENTREGUE-SE!
Abandone a intenção de fazer nada. Esqueça qualquer objetivo, o nadismo não tem nenhum propósito.
3. SOSSEGUE!
Privilegie o silêncio e a imobilidade.
4. OBSERVE!
Evite ocupar-se mentalmente. Deixe a mente vagar como as nuvens.”
Em suma, palavras bonitas, muita redundância e prolixidade para, finalmente, dizer: fique parado.
Talvez ainda não tenha evoluído tanto ao ponto de entender o propósito do nada.
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