Riso compulsório

Algumas piadinhas são tão recorrentes e antigas que o riso torna-se sinal de educação. Não rir delas é quase ser uma pessoa grossa. Normalmente, estas piadas são aquelas conhecidas por todos, sem a menor graça, quase sempre mencionadas por pessoas mais velhas.

Eis alguns exemplos.

Assistindo desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, qual a piada que não vai faltar nunca? Em algum momento alguém vai soltar: “Agora que a Mangueira vai entrar?” Esta é a típica piada originalmente suja que foi elevada ao nível de “clássica”, dotada da obrigatoriedade do riso. A vontade amarga, se estivermos de mau humor, é falar: “Claro, ela vai entrar. Inclusive, me dá licença?”

Bom, agora vamos nos transportar para aquele almoço de família, com todas as gerações, bem agradável. Chegada a hora da sobremesa, surge na mesa um belo e apetitoso pavê. Esqueça. Você não vai saboreá-lo sem antes ouvir: “É pavê ou pacomê?” É pacomê e ficar quieto.

Aí alguém começa a contar uma história que tem um tal de Mario… Quando vocês ouvem este nome já não se preparam para checar quem do grupo vai perguntar: “Que, Mario?” Sim, porque agora esta pergunta é proposital. Tem sempre alguém que adora ouvir piadas repetitivas e faz esta pergunta de propósito! E a pessoa que está contando a história tem que optar em rir ou terminar a piada, enquanto os demais estão pacientemente espero o desfecho previsível.

Mas é chegada a hora de ir embora. Quem foi que teve a brilhante criatividade de inventar a frase: “Vamos nus, porém vestidos”? Esta é péssima. E o pior é que caiu no gosto popular e será eternizada, certamente.

Seguindo a onda de obscenidades, quem nunca se deparou com um grupo de amigos em uma casa, viajando, onde as tarefas são divididas e sempre tem um engraçadinho que fala: “Se eu cozinho, eu não lavo’?

E por aí vai, pessoal, com clássicas e neoclássicas:

“quer VER DURA?”

“Você tá bem? Não COMO você, mas vou bem”

Agora que reparei que quase todas são piadas sujas…

No fim de tudo isso, temos que realizar nosso grande exercício de humildade e assumir que amamos uma das piadas mais sem graças da face da terra. E ela não é obscena! A famosa piada do “paraguaio”. Vocês conhecem, né? Pois ela é uma clássica entre nós duas e adoramos contar para pessoas novas. A ressalva é que, ao contrário das pessoas de bom senso, que dão apenas uma risadinha por educação, nós, muitas vezes, rimos no meio da piada. Isto porque ela é ridícula…

Todos nós temos um ponto fraco. E nosso telhado também é de vidro.

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