Argentina – Parte FINAL

09/02/2010 por abrindopuertas
Acordamos e pegamos nossas coisas. Pablito tentou pedir desculpas, mas ignoramos. Pagamos o resto da hospedagem e fomos dar o último passeio antes de ir rumo ao aeroporto.

Bom, almoçamos, compramos umas besteiras e passamos na frente de uma “peluqueria”. Claro que ficamos tentadas a fazer um corte estilo Argentina, mas ponderamos que, se tudo que era legal estava dando errado com a gente, era melhor não arriscarmos o nosso belo “pelo” nas mãos Argentinas.

Partimos para o aeroporto e, no caminho, eu, Paula, sugeri à Samylle que gastássemos todo o dinheiro que tinha sobrado. No fim de todas as viagens, minha mãe fazia isso: juntava todas as migalhas, moedas, e gastávamos em besteira para não ter que perder mais nada no câmbio. A Samylle topou, é claro.

Chegamos ao aeroporto e já fomos fazer o check in. Após uma fila enorme, e sem entender nada do que as pessoas estavam falando (acho que nossos neurônios não estavam mais funcionando devido às reiteradas noites não dormidas), em determinado momento uma atendente passa pela fila perguntando se havia alguém “embarassada”(grávida). A Paula estava “desneuronizada”, na “PaulLand”, sem ouvir nada, e eu achando que era atrasada, levantei a mão. Um mico a mais um mico a menos não fazia mais diferença naquela altura do campeonato.

È chegada a hora de entramos na sala de embarque. Eu, Paula, fui em uma fila e a Samylle na outra. Quando eu entrego meu bilhete para o segurança, ele vira e fala: ” La taja” ( leia-se taxa em alto e bom português). Eu, achando que era apenas uma brincadeira de mal gosto argentina, já me sentindo íntima, dou um “tapa-empurrão” no ombro dele ( daqueles que você dá e fala: “Ah, vá…”), e digo: “Ah, si…” O homem, no auge do seu mau humor, vira e fala: “Si.” E aponta para o caixa.

Neste momento, escuto a Samylle que tinha sido detida pelo mesmo motivo. “Que isso? Tem pagar para embora? Tá tudo errado…”

Eu, Samylle, fiquei desesperada. Já imaginei a cena: eu sambando no saguão do Aeroporto, ou tentando fazer alguns passos da capoeira que nunca aprendi, enquanto a Paula, ao mesmo tempo que dançava, tentava persuadir as pessoas a nos dar algum trocado: “Eu poderia estar matando e ou roubando, ou até mesmo seqüestrando (lá em São Paulo isso é até comum. Temos “know-how” neste tipo de crime). Mas somos apenas pobres brasileiras querendo voltar ao nosso País.”

Não tínhamos um centavo, pois gastamos TODO o dinheiro. Neste momento comecei a rir e chorar ao mesmo tempo e a Paula manteve a calma e lembrou que talvez ainda tivesse restado algum crédito no meu cartão. Ficamos na fila , rezando muito, porque, apesar de o valor não ser alto, eu tinha levado um cartão com um limite muito baixo e já havíamos usado em diversos lugares. Pela graça de Deus, o cartão passou.

Fomos até o nosso ” amigo funcionário” e, como boas advogadas, tentamos conseguir informações quanto à origem daquela taxa. Esforço em vão. Ninguém sabia dizer.

Na fila para apresentarmos o passaporte, comecei a ficar angustiada porque havia perdido o papel da entrada. A Paula, na tentativa de me acalmar, falou: “Calma, Sá, não precisa daquilo.” Eu, nervosa , gritando, respondo: Não sei!!! EU não sei! Eu só quero ir embora!! E eles ainda me fazem pagar!!! Não dá para entender, nada faz sentido!”.

A situação estava cômica e todos estavam rindo do nosso desespero em pular fora daquele território. Voltamos sem lenço e com documento. Mas faltaram o “pelo argentino” e os alfajores, que a Samylle, por ficar embascada ao ver o avião que nos levaria embora, esqueceu na esteira de raio-x.

 

 

 

 

Argentina – Parte 10

04/02/2010 por abrindopuertas

Voltamos felizes e saltitantes para o hotel. Então, resolvemos esticar a noite e fazer drinks na cozinha maravilhosa com as bebidas esquisitas que o pessoal tomava. A Samylle logou assumiu a posição de barwoman e pegou todas as bebidas “stock” – aquela colorida – e misturou com várias coisas que estavam na geladeira – acho que tinha coisa vencida no meio.

De repente, chegou um pessoal, o único normal da casa, que era de um time de rugby do Uruguai. Logo começamos a conversar e a Samylle foi servir os drinks. A cara deles de que a bebida estava horrível me assustou, porque eu estava achando uma delícia. O problema da Samylle no “bar” é que ela queria a atenção para ela. Não deixava eu conversar, porque queria mostrar sua performance, segurando as garrafas, jogando bebida… Até pediu para eu tirar uma foto. Porém, ela não olhava para o copo, só para a gente, o que fazia com que ela sujasse a pia toda e desperdiçasse um monte de bebida em cada drink. Mas tudo bem. Estávamos felizes.

No outro dia, acordamos super mal, mas não dava para ficar no quarto. Então fomos a San Telmo, em um feira de antiguidades. Antiguidades argentinas = caco velho. Sério, gente, dá uma olhada na boneca sem cabeça que estava à venda na feira. Sem condições.

 

Então voltamos e ficamos morrendo no hotel. Eu dormi no sofá da recepção e a Samylle conseguiu dormir no quarto. À noite, já sem a mesma energia de sempre, fomos jantar com um amigo meu que é de lá. Estava indo tudo super bem: a comida era boa, o papo, a companhia etc. Quando ele foi nos levar ao hotel, convidei para subir, assim nós 3 continuávamos conversando por lá.

Assim que ele entrou no hotel, lembrou que tinha deixado o rádio no carro e disse que ia voltar para pegar. Então eu dei a chave da porta para ele ir e voltar. Pablito, o dono, estava em volta e, quando meu amigo saiu, veio na maior ira do mundo perguntar se eu tinha dado a chave “da casa dele” para um estranho. Para evitar brigas, pedi desculpas, mas ele logo se exaltou, parecendo sua pequinês Maya, e começou a surtar, dizendo que eu estava desrespeitando as regras, que eu tinha lido o contrato (como? naquela escuridão?), blá, blá, blá… Eu ainda tentei manter a calma e explicar que houve um mal entendido, mas logo ele me tirou do sério e comecei a revidar.

De repente, escutei a chave na porta (meu amigo abrindo) e o coitado levou o maior susto porque saí empurrando-o para trás e a Samylle veio junto. Ela tem pânico de briga e estava apavorada. Eu também fiquei mal com a situação. Afinal, o clima estava péssimo lá. Ficamos na rua por um bom tempo. Meu amigo foi embora e nós ficamos na calçada, pensando no que faríamos. Acabamos decidindo entrar e ir dormir, pois era nossa última noite.

Argentina – Parte 9

03/02/2010 por abrindopuertas

Fomos comprar bebida no caixa e do lado já era o bar. Quando tentamos entregar a ficha, o barman passou a nos ignorar. Havia algo errado, mas não sabíamos por quê. Pareciam os taxistas nos ignorando, até que um deles apontou para cima: havia placas numerando a área do bar de 1 a 5, sendo que cada número correspondia a um tipo de bebida, e o lado da vodka era o mais lotado.

Além de não haver explicação sobre os números, ninguém tinha nos avisado. A Samylle ficou revoltada e voltou para o caixa, pedindo “qualquer coisa que dê para pegar no balcão 1″. Eu tive que ficar na “muvuca” do balcão 5 mesmo.

Depois de nos perdermos durante muito tempo, nos reencontramos. Foi a maior alegria! Ela logo me pediu dinheiro, porque eu estava incumbida de controlar as finanças. Dei o último dinheiro da noite para ela (vamos supor que eram 7 pesos), porque o resto era do táxi.

Logo ela voltou revoltada e me explicou: “Eu pedi uma vodka com energético. Ele falou que eram 12 pesos. Perguntei quanto custava o energético. Ele falou 5 pesos. Logo, a vodka custa 7. Pedi uma vodka e ele falou: 9 pesos. Como??? Este lugar é esquisito. Tô p… Vamos embora.”

Na volta, morrendo de fome, demos mais uma passadinha no “El Living”. Todos nos receberam muito bem. E a Samylle não demorou muito para falar a única palavra que tinha aprendido com louvor em espanhol: “hambre”, junto com o sinal universal de fome: passar a mão na barriga.

O segurança perguntou se a gente queria sanduíche (que sobrou, é claro). Aceitamos na hora e terminamos a noite saboreando um sanduíche gelado quadrado de frango na maior felicidade. Eles não acreditamvam em nos ver tão alegres com tão pouco.

Argentina – Parte 8

01/02/2010 por abrindopuertas

Volvemos e, enfim, encontramos! Havia um segurança na porta da escadaria e podíamos identificar que era um local comercial. “El living” foi uma grande surpresa para nós, já que nunca poderíamos imaginar que o local se tratava de um living realmente e era praticamente “parede com parede” com o “El sol”. Inacreditável que não tínhamos visto o lugar nos outros dias. Aí entendemos a cara de surpresa dos nossos amigos, quando contamos que não conseguimos achar.

Havia uns sofás espalhados pelo local, um grande telão, e todas as pessoas paradas vendo o DVD. Poxa, DVD eu vejo em casa!

Parece praga, mas não aprendemos. Quando nos deparamos com um local assim, com pessoas paradas e desanimadas, ao invés de aceitarmos, queremos revolucionar. Logo começamos a cantar e dançar (na frente do telão também pode?) e tentar fazer amizade. A Paula ficou amiga de infância da barwoman. Era o primeiro dia de trabalho dela, e a Paula já dava altas dicas, abraçava, dava apoio moral… A moça ficou dando uma bebida de graça para ela, que logo ficou alegre. O shot de tequila era servido naquele copo de “média” de padaria.

Quando já éramos amigas do dono, dos garçons e dos seguranças, vimos que “já” eram 3 horas e fomos rumo ao krobar. Contamos para eles sobre o nosso pequeno problema com os taxistas e eles ficaram de platéia na rua. Quando finalmente conseguimos pegar um táxi, todos os seguranças comemoraram com a gente e vibraram a nossa vitória (quem disse que há rivalidade entre brasileiros e argentinos?). Aí descobrimos que estávamos chamando o táxi no lado errado da calçada – por isso eles não paravam.

Chegamos ao Krobar e logo vimos que eram duas baladas divididas por uma grande porta com um segurança na frente. Não podia passar para o outro lado. Mas nada que um Nextel não resolvesse.

 

Cismamos que o outro lado devia ser o lado legal, porque a balada estava muito chata. Eu, Paula, claro, fui incumbida de conseguir a permissão para o outro lado. Cheguei sorridente no segurança e eis o diálogo:

Eu: Puedo?

Ele: Depiende…

Eu: De quê?

Ele: De que tu me dás.

Eu: Depiende de que tu quieres…

Ele: Un beso?

Eu: Tienes Nextel?

Meu trunfo, viram? Bom, dei meu id, deixando ele na esperança de que rolaria. Mas saí correndo.

Chegando no outro lado da balada, vimos que também não era grande coisa. Então a Samylle cismou de voltar. É claro que a gente não podia fazer isso, porque o cara podia ter se tocado. Fiquei com medo e tentei segurar a Samylle, que insistia na loucura. Entre os argumentos para me convencer, ela pediu para eu falar para o segurança que não podia beija-lo, já que minha amiga, ela, estava apaixonada:

P: “Nãããão, Sá! Pelo amor de Deus, ele vai me agarrar.”

S: ” E daí? O que é 1 beijo em 1 milhão?”.

É, ela joga sujo quando bebe. rs. Mas não cedi à pressão, é claro.

Argentina – Parte 7

30/01/2010 por abrindopuertas

A balada já estava certa: Krobar. Muitas recomendações. Aquele era o boliche do momento. A noite chegou e fomos para porta do albergue tentar pegar um táxi. Mais uma vez, em vão. Eles não gostavam da gente. Ficamos uma hora dando sinal e todos falavam “no”. Já cansadas e sem entender o que acontecia, pois eles não estavam ocupados, um deles teve a petulância de dar a volta no quarteirão para fazer “no” com o dedinho novamente. Neste momento, eu, samylle, já estava prestes a chorar, e a Paula ainda mantinha o sorriso, agachada na esquina se matando de rir com a cena: o sinal fechava, uns 6 táxis enfileiravam e eu ia, um a um, dando sinal, e todos falavam “no”.

De repente, a Paula teve a brilhante idéia e me disse: esse vai parar no sinal. Abre a porta e entra, e ele não terá opção. Entramos, e o motorista não estava muito bem humorado, como se pode deduzir. Tivemos que ficar naquele silêncio mórbido, sem rir, por um bom tempo, pois o local era distante. Chegamos no lugar: uma praça e estava meio vazio. O taxista se mandou rapidinho e a gente ficou lá perdida. Chegamos na porta e fomos informada que só abriria às 3 horas. Lá vamos as duas de saia, salto, andar até o outro lado da avenida, passando por vários travecos. Eu já estava apavorada com medo de ser presa na Argentina: “Paula, eles vão achar que a gente é puta.Vamos correr daqui. Travesti é perigoso.” Enquanto eu chorava, a Paula pedia calma e ria.

Chegamos na avenida onde havia um único restaurante, perdido entre os prédios comerciais. Ficamos por lá. Na saída pedimos para o garçom chamar um táxi, pois vimos que os taxistas argentinos não gostavam muito da gente. A gente se escondeu atrás de um carro, o garçom parou o táxi e saímos pulando, felizes e entramos. O cara ficou muito bravo. Parecia pegadinha. Acabamos a noite em Palermo, causando de balada em balada.

No outro dia, continuamos firmes. Afinal, a balada estava garantida: Opera Bay. Decidimos ter um dia de princesa. Procuramos um restaurante bom no guia (até este momento não sabíamos que era um guia de 1990), para jantar e, depois, rumo ao Boliche. Chegando no hall do “El sol”, fomos pedir informações sobre a tal balada. Claro que a balada não existia mais. Mas isso não nos abalou. Vamos comer muito bem e depois vamos ao Krobar, já que no dia anterior não tinha rolado.

À tarde, revelamos que éramos nós que sempre levávamos rosas na madrugada. Todos riram e o “recepcionista” disse que não entendia da onde elas surgiam. Sucumbimos à pressão e resolvemos ser amigas deles, os moradores, já que estávamos prestes a ir embora: A Política da Boa Vizinhança.

À noite, partimos para um restaurante que estava indicado no guia com 5 estrelas. Andamos, andamos, e nada. Não havia mais o restaurante. Acho que em 1990 ele era um sucesso. Decidimos voltar e procurar o famoso “El Living”. Ele era o assunto do hotel. Como não achamos? Questão de honra.

Faixa Bônus!!!

30/01/2010 por abrindopuertas

Aproveitando o sucesso da nossa saga argentina, aí vai um vídeo.

Depois de tanta coisa dando errado, finalmente pegamos um táxi com alguém animado. Ele achou que estávamos tristes e desiludidas com Buenos Aires e resolveu cantar  Wando para nos animar. Uma figura, mas fofo.

P & S.

Argentina – Parte 6

28/01/2010 por abrindopuertas

Capotamos e acordamos naquele lugar insalubre. Abrimos a porta que dava direto para uma “varanda”, ou melhor, um jardim de inverno, cheio de entulho. Era bom que podíamos ver o dia-dia dos nossos novos “amigos”. O ruim era de manhã, pois nossa porta era daquelas de varanda com vidro em cima e batia o maior sol. A gente se sentia em uma barraca de acampamento fritando. Além do mais, ou nos arrumávamos, ou ficávamos trancadas no quarto, porque não tinha como ficar de pijama tomando um “arzinho”, já que nosso quarto de porta aberta dava direto para o local de confraternização dos moradores: havia uma dançarina de tango que ensaiava sem música, um casal de gays que sentava em uns banquinhos muito pequenos para ler, alguns arames que eram o “varal”, um gringo que ficava na cozinha com o laptop o dia todo e uma mulher com uma bebê muito cabeçuda, mas a mais sorridente do local.

Abaixo, uma amostra de uma cena de leitura dos nossos amigos. Tudo é real na foto, exceto a pessoa, que é um “ator”.

Decidimos interagir. Afinal de contas, quem eram eles? Pareciam vir de países desenvolvidos… Como eram felizes ali?

Descemos até a “recepção do hotel”. Era tudo ermo. Apenas alguns loucos na cozinha, que também era uma sala de TV, rindo não sei do quê. Descobrimos um casal de velhos, velhos mesmo, que moravam lá. O cabelo da mulher não via pente nem xampu há tempos. O homem parecia um semi-vivo, mas eles estava comemorando bodas. Também havia uma jornalista que disse que sempre que ia a Buenos Aires se hospedava lá. O Mitchel me falou que trabalhava com lâmpadas. É, no português bem claro, eletricista, eu acho. Não deu para entender o “ramo” dele direito.

Estávamos sozinhas no sofá quando, de repente, eis que surge um rapaz com cara de gringo. Ele cumprimenta não sei em qual língua, mas pela sacudida de cabeça estava dando um olá. Devolvemos um “hola”. Após um tempo, ele sai do quarto dele com um colchão. Contive minha cara de pânico. Ele parou na nossa frente segurando o colchão e começou a puxar papo. A Samylle ficou quieta. Desta vez, não foi de timidez. Simplesmente era impossível entender que língua ele falava. Fiquei uns 30 segundos fazendo aquele sorriso neutro, que serve para rir de uma piada, para ser apenas simpática, ou para expressar extrema concordância.

Com muito custo, descobri que ele estava falando inglês. Após um breve papo, soube que ele era um professor canadense. Em seguida, ele sai andando e leva o colchão para a cozinha. A gente se olhou com cara de: “é para rir ou para chorar?“ E logo a Samylle pediu para eu traduzir a nossa conversa, porque nem o inglês dele ela tinha conseguido entender de tão estranha que era a pronúncia.

Mas o professor bizarro ainda preparava outra surpresa. Ele voltou para seu quarto, que agora não tinha mais colchão, e saiu com um pote de amendoim e um sache de chá. Foi para a cozinha e ouvimos barulho de microondas. Logo em seguida, muitos estalos. Resumo: ele esquentou o amendoim no forno e colocou o chá na água fria. Ainda bem que foi educado e nos ofereceu a iguaria.

Argetina – Parte 5

25/01/2010 por abrindopuertas

Do nada passa um ser carregando uma panela e vai para o banheiro “comunitário”. Em pouco minutos volta com a panela cheia de água e vai para a cozinha, que ficava ao lado do nosso quarto. Olhamos uma para outra com a cara de assustadas e fomos discretamente averiguar do que se tratava. Resumindo: não havia pia na cozinha do andar de cima. A água usada era a do banheiro.

A gente até que tentou ser simpática, esboçando um sorrisinho, mas a nossa cara de pânico era muito evidente. Não havia com quem conversar… No quarto não havia cadeira. Então éramos obrigadas a ficar deitada, já que na beliche de baixo não dava para sentar porque a de cima era muito próxima. E, se as duas sentasse na de cima, a cama virava, porque era feita de compensado e inclinava toda hora.

Sempre que batia aquela vontade de ” desistir”, de correr daquele lugar, era chegado o momento de fazer o cabelo! Sim, o cabelo argentino. Nossa animação imediatamente voltava ao tentar imitar “el pelo” argentino. E sonhávamos com o dia em que íamos entrar em uma peluqueria e pedir: “Faz um típico argentino, por favor.” Ficávamos rindo, imaginando a reação das nossas amigas que, com certeza, mais uma vez, desaprovariam uma loucura nossa. Por este mesmo motivo, a paixão pelo cabelo argentino, nada nos deixava mais feliz do que encontrar um salão na cidade. Quando uma via, apontava: “A peluqueria!!!” E corríamos para ver os cortes e preços. Duas retardadas mesmo… Enquanto nos espremíamos no micro espelho do banheiro observávamos as “espécies” do local, enchíamos o cabelo com mil grampos e vibrávamos quando ficava um pouco parecido com as argentinas.

Decidimos nos arrumar para comer algo e conhecer o “El living”. Bom, ele “morrió”. Assim como toda Buenos Aires. Simplesmente a balada que era vizinha do hotel sumiu. Não encontramos. Então fomos passear no Puerto Madero.

Lá é super bonito, mas estava muito frio. Comemos algo e fomos fazer um esquenta no Asia de Cuba. Àquela altura já estávamos um pouco de saco cheio das nossas frustrações: hóspedes que não existem, balada ruim, outra balada que sumiu etc. Então queríamos tomar algo e ir para a balada. Pedimos o drink da casa: kamikase. O nosso raciocínio era o seguinte: deve ser um drink grande e forte. Vamos demorar um pouco para tomar, mas, quando acabarmos, estaremos mais animadinhas e já será hora de ir para a balada.

Sentamos no balcão e, de repente, vimos 2 copinhos de shot na mão da garçonete. A gente se olhou com a cara de “não é possível”, e a garçonete ergueu os 2 copinhos na maior felicidade, com expressão de: “Vem pegar. Estão prontos.”

Desatamos a rir. Em que lugar do mundo o “drink da casa” é servido em um copo de tequila? Como faz este drink? Como uma mini-coqueteleira que o barman segura com os dedos e sacode tipo pagodeiro fazendo barulho com caixa de fósforo? Era tudo muiiito esquisito. Então, para documentar, pedimos para um rapaz tirar uma foto nossa. Dica: ele era argentino. Adivinhem o que se passou? Ele grudou na gente e começou com aquele papo chato. Viramos o drink e fomos embora.

Resolvemos andar pelas redondezas, mas tudo estava vazio. Ficamos sentadas olhando para o rio de Puerto Madero. Acho que passamos uma hora sem falar nada uma para outra. Passamos em um píer, um iate clube e paramos para perguntar para os seguranças (na esperança de eles nos deixarem entrar no local) qual “boliche” era bacana. Claro que o pacote “simpatia brasileira” incluía em dar o número do Nextel para mais um segurança. Mas, desta vez, não deu certo, porque ele não deixou a gente entrar. Apenas indicou uma balada que era lá perto: o “Acqua”.

A animação voltou! Já escutávamos o som de longe. Uhu! “Boliche!” Chegando na porta, só havia ninos. A Paula pediu para dar uma olhada lá dentro, e lá dentro também só havia gente de 13 anos.

Decidimos ir para Palermo. Palermo é tipo a Vila Madalena: “muita coisa para fazer”. Conseguimos pegar um táxi, e o cara pergunta qual Palermo. Como assim? Palermo ,Palermo. Dos boliches. O taxista nos deixou em um boliche. Entramos e nos divertimos. A Paula fez muitos amigos e tirou várias fotos. Na saída, para não perder a tradição ficamos olhando para o chão à procura de uma rosa. Acabei comprando uma rosa de uma criança, e ainda fiquei discutindo com o moleque porque ele estava fumando. No fim, ele tentou pegar meu dinheiro e arranquei outro rosa à força dele. Voltamos felizes e contentes para o “El sol”. Mais uma vez, sem conseguir identificar qual era a porta. A chave não entrava direito na porta. Quando errávamos a porta, então, demorava mais ainda… Mas as rosas despedaçadas foram mais uma vez colocadas na recepção.

 

Faixa bônus!!!

23/01/2010 por abrindopuertas

Pessoal, a próxima faixa bônus ia demorar alguns dia para ser colocada no ar. Mas, tendo em vista que hoje batemos o nosso recorde diário de acessos e, mesmo não tendo acabado o mês, também já batemos nosso recorde mensal, decidimos presentear nossos leitores com mais uma.

Algumas dicas ao ver o vídeo: estamos no show da Ivete Sangalo, mas ela não está cantando. Apenas falando alguma coisa com o público. Observem que ninguém ao meu redor está dançando, pois não há música. Mas eu, no meu mundo particular, a PaulLand, estou me divertindo sozinha, com meu telefone gigante na balada e cantando a única música sertaneja que conheço. Além do mais, eu não tinha percebido que a Samylle estava filmando… Por fim, notem o homem que está de costas (o chamarei de Alf, para preservar sua identidade). Bom, o Alf olha esta cena e faz o sinal universal para seu amigo que significa: “ele(a) é maluco(a)”. Vindo este “elogio” do Alf, é realmente de se avaliar até que ponto estamos destoando do comportamento mediano. hahahaha

Enjoy!

P & S

Argentina – Parte 4

21/01/2010 por abrindopuertas
 
 

Esquecemos de dizer que nós tínhamos a chave do hotel. Assinamos um termo nos responsabilizando por ela, mas só fui descobrir este termo no fim da viagem. Segundo o Pablo, era para termos mais liberdade. Não era porque ele não queria pagar uma recepcionista, não. Imagina…

Decidimos passear pela cidade a pé. Praticamente percorremos Buenos Aires inteira a pé. Sempre que nos perdíamos e pedíamos informações, mandavam a gente ir para trás. Incrível como argentinos gostam de “volver”. Mas adotamos o lema: “volver jamás”. Então era bizarro, porque a pessoa dava a informação, a gente agradecia e ia para o sentido oposto que a pessoa tinha falado. Mesmo estando erradas, acabaríamos conhecendo algo diferente, o que não aconteceria se “volvêssemos”.

Depois de umas 5 pessoas darem informação e a gente não escutar nossos amigos, paramos de perguntar e simplesmente andamos. Sempre ao som das palmas ridículas dos argentinos. Sério, eles são muito chatos. Foram amamentados com testosterona. Só pode. Até o guarda da Casa Rosada deu em cima da gente. Ridículos. A gente não podia perguntar nada que chamavam para ir a um bar, sendo 11 da manhã ou 11 da noite.

Voltando do passeio, enquanto subíamos as escadas do fabuloso “El Sol”, ouvimos vozes. “Oba! Enfim vamos ver os nossos amigos.” Hum.. “que belos”: umas figuras estranhas, mas estavam abertos a conversa. Entramos e não queríamos ir para o quarto, mas a Samylle, como sempre faz na presença de estranhos, emudeceu. Falamos da balada, da rosa – sentadas no chão, pois o sofá com o plástico já estava cheio (duas pessoas).

A foto abaixo mostra o sofá de plástico da recepção, em um outro dia, que estávamos super felizes. Reparem no reflexo do espelho atrás da gente as luzes do teto: vermelha e verde. Lugar beeeeem esquisito.

Um dos que estavam sentados foi simpático, o Mitchel, e logo ficou meu amigo. No fim, ele me odiou – depois explico por quê – e nos sugeriu uma balada que era do lado do albergue. Sugestivamente ela se chamava “El living”. Como ele morava lá, pensamos que o boliche deveria ser dos bons. Combinamos de ir com ele.

Neste mesmo momento, descobrimos que nossos amigos moravam lá. Ou seja, aquilo era um cortiço. Também observei a salinha de TV, que tinha uma luz escura, várias revistas playboys, geladeira, bebida estranha e uns bancos horrorosos.