Tudo começou com o blog. Quando, finalmente, admitimos que não conseguiríamos manter nossa história no “aninomato” para sempre, decidimos contar para os nossos amigos. Entre uma sugestão e outra, criamos um twitter.
Logo nós, que achamos o twitter a rede social mais babaca que existe. Mas, como era para o bem do blog… Adicionamos algumas pessoas e percebemos que os artistas escreviam várias vezes ao dia. Até aí, nada demais. A Samylle viciou um pouco (agora ela já está totalmente curada e voltou a repudiar o twitter), passando o dia todo acompanhando os tweets e até chegou a ganhar um ingresso para um show! Foi bem no dia do apagão de SP, mas o que importa é que era de graça, né?
Passado um tempo, compramos ingresso para um de stand up do Marco Luque, que estava ocorrendo do lado do meu escritório e, uma semana antes, vi no twitter que ele tirou uma foto com um óculos que ele havia ganhado. Dar presentes para famosos é uma das funções da assessoria de imprensa. Como eu importava óculos na época e estava sem assessoria de imprensa, comentei com a Samylle que achava uma boa oportunidade dar um óculos no dia da peça.
O que aconteceu no dia não foi novidade. Eu esqueci o óculos. Tínhamos marcado de jantar antes da peça e, quando a Sá chegou ao restaurante e soube da notícia, ficou toda desapontada comigo (não sei como ela não se acostumou ainda) e quis dar alguma coisa mesmo assim. Sim, mas o quê? Eis que ela dá a belíssima idéia de darmos um presente zuado, composto de restos e lixo.
Era uma época em que riamos muito da moda “vintage”. O povo pega o que é velho, fala que é “vintage” e o preço fica um absurdo. Então resolvemos dar um presente “ vintage”, pois era algo “in” e a única coisa que podíamos oferecer.
Revirando a bolsa, achamos uma borracha usada, 1(uma) luva, 1 grifa texto, um resto de post-it, pegamos alguns saquinhos de açúcar e sal da mesa… Nesta hora, a Samylle levantou-se para ir ao banheiro e voltou falando: “tem aquele negócio lá do banheiro para dar.” Eu: “O quê? Que negócio?” Ela não conseguia articular direito as palavras (acho que estava prevendo a imbecil idéia que daria e eu concordaria): “Aquele ´coisinho´ de colocar na privada.” O protetor de privada! Ótima idéia. Corri para o banheiro e voltei com um dobradinho.
Juntamos tudo, embrulhamos no papel rasgado do jogo americano do restaurante, amassamos as pontas para não cair, colamos com uns post its e fomos à peça. No fim, deixamos o presente com o produtor e fomos embora.
Claro que rimos do quanto éramos ridículas em fazer algo sem propósito. Para que aquilo? Nem quisemos conhecê-lo. Todas as meninas dando bichos de pelúcia, cartas e nós com aquele presente tosco. Mas foi por brincadeira, não deboche. Sei lá, um lapso de senso de humor tosco. Ainda havia um bilhete em que justificávamos a nossa idéia inicial (óculos) e o porquê da utilidade de cada objeto…
Uma luva só: pois a luva na mão que você escreve mais atrapalha do que ajuda
Post-it: para anotar as idéias para o próximo stand-up
Grifa-texto: para grifar as idéias mais engraçadas
Açúcar e sal: na falta de glicose ou queda de pressão
E o“coisinho” de banheiro: não precisamos falar da utilidade,né?
Passados uns meses, a Samylle vai até a “Disco” e encontra com ele de novo. Ela ficou muito sem graça e me ligou na hora. Paula! O Marco Luque tá aqui. Que vergonha!!! Morri de rir e senti muito por não estar com ela, porque provavelmente eu teria a cara de pau de perguntar se ele tinha usado o presente.
Mais outros meses se passaram e fomos passar o carnaval em Salvador. No último dia, como já contei aqui, a Samylle foi embora mais cedo e fiquei sozinha no camarote Salvador. Fiquei lá “viajando”, curtindo e havia uma pessoa grande do meu lado com muita mulher em volta. Sei lá, ele parecia simpático, mas daí a ter aquele monte de mulher é outra história.
Não lembro em que momento ele se virou para mim e eu perguntei por que tinha tanta gente do lado dele. Ele desconversou, mas uma pessoa me cochichou quem ele era. Aí me toquei e passei a mandá-lo fazer algumas imitações que eu lembrava do stand up. Sim, sou total sem noção. Além de precisar de alguém me “soprar” o nome dele, depois que reconheço ainda exijo um show private. Óbvio que ele desconversou.
O pior é que eu estava em uma “viagem” tão grande que nem lembrei do presente… Quando contei para a Samylle no dia seguinte, a primeira coisa que ela falou foi: “por que não falou do presente?” É, Sá, você realmente ainda não se acostumou com sua amiga esquecida…
Pelo que deu para perceber, tudo girou em torno do presente tosco. Acho que tínhamos curiosidade em saber se ele se ofendeu, achando que estávamos zuando, ou tem o mesmo senso de humor apurado que o nosso.
Ok! 3 “encontros”, nenhum sucesso, fim da história. Nananinanão. Passados mais alguns meses, a tia da Samylle nos oferece 2 convites para a festa de aniversário de um dos produtores do Marco Luque. Topamos.
Chegando lá, o ambiente era totalmente opressor. Todos conheciam todos. Nós éramos as duas totalmente excluídas do ambiente. Cumprindo nossa máxima “estando no inferno, abrace o capeta”, decidimos beber e curti “on our own”.
Para piorar tudo, havia poucas pessoas, de modo que nem se esconder era possível e ainda teve um show da banca “ Vevets”. Como estávamos no clima carnaval, após algumas caipirinhas, começamos a cantar “ Vé , Vé , Tes- oba, Oba”(trocadilho com a música do Chiclete, entenderam?). Neste momento, eu achei que nossa cantoria e coreografia estivesse sendo algo discreto.Como a banda era nossa única distração e possível “amiga”, já que nem a faxineira quis conversar com a gente, ficamos na beira do palco enlouquecendo.
Em determinado momento, ele passa por nós e vai em direção ao banheiro e a língua da Samylle coçou para perguntar: “ Você está preparado? Trouxe o nosso presente? Olha lá. Não vai sentar no vaso sujo.” Mas ela resistiu para não sermos expulsas.
Começamos a nos sentir em casa, amigas da banda, de forma aparentemente discreta, longe da visão do aniversariante (que não sabia quem nós éramos) e do Marco Luque (era a 4ª x que o encontrávamos e preferíamos cavar um buraco naquele momento).
Estava tudo muito parado, a banda até que era animada, mas quase ninguém dançava. Claro que não sucumbimos ao desânimo geral e nos pusemos a dançar. Honestamente, estávamos dançando animadas, mas dentro da normalidade( já fomos muito mais empolgadas em outros ambientes), porque o lugar nem permitia grandes loucuras.
Passados uns 30 minutos, para nossa maior vergonha, o vocalista da banda pergunta: “tem alguém aqui animado além destas duas?” DEUS DO CÉU! Que vergonha! Óbvio que todos nos olharam, inclusive os dois que mais queríamos fugir.
Naquele momento, não havia mais opção. Era melhor irmos embora do que sermos reconhecidas como penetras. Ou pior, irmos parar na cadeia como “stalkers” do Marco Luque.
0.000000
0.000000