Bom, almoçamos, compramos umas besteiras e passamos na frente de uma “peluqueria”. Claro que ficamos tentadas a fazer um corte estilo Argentina, mas ponderamos que, se tudo que era legal estava dando errado com a gente, era melhor não arriscarmos o nosso belo “pelo” nas mãos Argentinas.
Partimos para o aeroporto e, no caminho, eu, Paula, sugeri à Samylle que gastássemos todo o dinheiro que tinha sobrado. No fim de todas as viagens, minha mãe fazia isso: juntava todas as migalhas, moedas, e gastávamos em besteira para não ter que perder mais nada no câmbio. A Samylle topou, é claro.
Chegamos ao aeroporto e já fomos fazer o check in. Após uma fila enorme, e sem entender nada do que as pessoas estavam falando (acho que nossos neurônios não estavam mais funcionando devido às reiteradas noites não dormidas), em determinado momento uma atendente passa pela fila perguntando se havia alguém “embarassada”(grávida). A Paula estava “desneuronizada”, na “PaulLand”, sem ouvir nada, e eu achando que era atrasada, levantei a mão. Um mico a mais um mico a menos não fazia mais diferença naquela altura do campeonato.
È chegada a hora de entramos na sala de embarque. Eu, Paula, fui em uma fila e a Samylle na outra. Quando eu entrego meu bilhete para o segurança, ele vira e fala: ” La taja” ( leia-se taxa em alto e bom português). Eu, achando que era apenas uma brincadeira de mal gosto argentina, já me sentindo íntima, dou um “tapa-empurrão” no ombro dele ( daqueles que você dá e fala: “Ah, vá…”), e digo: “Ah, si…” O homem, no auge do seu mau humor, vira e fala: “Si.” E aponta para o caixa.
Neste momento, escuto a Samylle que tinha sido detida pelo mesmo motivo. “Que isso? Tem pagar para embora? Tá tudo errado…”
Eu, Samylle, fiquei desesperada. Já imaginei a cena: eu sambando no saguão do Aeroporto, ou tentando fazer alguns passos da capoeira que nunca aprendi, enquanto a Paula, ao mesmo tempo que dançava, tentava persuadir as pessoas a nos dar algum trocado: “Eu poderia estar matando e ou roubando, ou até mesmo seqüestrando (lá em São Paulo isso é até comum. Temos “know-how” neste tipo de crime). Mas somos apenas pobres brasileiras querendo voltar ao nosso País.”
Não tínhamos um centavo, pois gastamos TODO o dinheiro. Neste momento comecei a rir e chorar ao mesmo tempo e a Paula manteve a calma e lembrou que talvez ainda tivesse restado algum crédito no meu cartão. Ficamos na fila , rezando muito, porque, apesar de o valor não ser alto, eu tinha levado um cartão com um limite muito baixo e já havíamos usado em diversos lugares. Pela graça de Deus, o cartão passou.
Fomos até o nosso ” amigo funcionário” e, como boas advogadas, tentamos conseguir informações quanto à origem daquela taxa. Esforço em vão. Ninguém sabia dizer.
A situação estava cômica e todos estavam rindo do nosso desespero em pular fora daquele território. Voltamos sem lenço e com documento. Mas faltaram o “pelo argentino” e os alfajores, que a Samylle, por ficar embascada ao ver o avião que nos levaria embora, esqueceu na esteira de raio-x.






